domingo, 14 de dezembro de 2008

Na cama com Almodóvar.




Meu programa de sexta-feira à noite: sair da promessa e ir pra cama com Almodóvar. Isso porque eu sempre soube que ele iria me chocar, por parafusos sob a minha pele, me obrigar a virar do avesso. Violência e paixão em doses múltiplas, de uma forma cruenta, vermelha, mas envolta em plástico filme. Há na sua obra uma delicadeza invisível que afasta a idéia do vulgar e a do torpe. O politicamente incorreto vem e nos dá um oi: descarado, mas, de certa forma, polido, e em troca, sem que percebamos, sorrimos para o desgarrado e para o vil como vizinho nosso que de fato o é. Antes de dormir, assisti “Matador” e “Má educação” e talvez eu tenha me aventurado demais, eu que nunca aspirei absinto ou ópio. Em “Matador” vi alguma coisa de Kubrick: Angel pode bem ser um iluminado com problemas de audição. Também acredito ser o enredo bem conveniente, pois, em tempos de escassos verdugos quem terá melhor habilidade para o assassínio que um toureiro? Deus, como odeio touradas! Gostei bastante também da costura bem feita em “Má educação”, apesar das agulhadas na Igreja Católica e da rasoura que foi Enrique o filme todo. Após alguns “Deus me livres” e “Oh, minha nossas” dormi satisfeitíssima.


:* A primeira cena de “Matador” é perturbadora, uma esfinge impacientada pela fome.

:) Detalhe para a última carta de Ignácio assinada pela Morte.

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