sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Um estranho chamado Bob Dylan.


Não é de hoje que me surpreendo com esse meu famoso desconhecido. Deus, quanto mais serei forçada a vestir o capuz da ignorância? Na verdade, nunca precisei usa-lo, mas antes me submeter à catalepsia musical a sair por aí impressionando a todos com um festival de contradições, bem comum hoje em dia. Enfim, não me propus a resenhar discos nem tão pouco os gurus da música. Reconheço que seja isso tarefa para alguns poucos que se redimem por quase nada saberem. A santa ignorância protetora dos fracos e, não por contradição, mantenedora dos fortes de garganta e ecologicamente descartáveis. Detenho-me, portanto, por balançar meu copo meio vazio na esperança de que um dia possa vir a imita-lo transbordar. Antes um copo vazio, porque dele se bebeu, a um copo cheio posto em pedestal por seu suposto contato com o cosmos superior. Senhor, dai de beber aos que têm sede e perpetuai, desde já, a eterna estranheza em torno de Bob Dylan. Pois, sei que deveria ter assistido antes a “No Direction Home – Bob Dylan” do Scorsese, porque também havia me prometido isso, mas fazer o quê se, na hora do almoço, e reconheço essa chaga própria aos sedentários, passa na TV “I’m Not There” de Todd Haynes... Um filme que, decididamente, ou se assiste ou se come, pois as duas ações conjuntas não compensam o esforço. Eu não me lembro de haver assistido antes a um filme mais recortado, talvez, “The Butterfly Effect” de Eric Bress e J. Mackye Gruber, mas os dois tiveram motivos diferentes e em “I’m Not There” o recurso ganha charme pelos inúmeros detalhes dados, até mesmo, pela mudança de atores.

:) Marcus Carl Franklin foi uma grata surpresa. Espero que eu continue encontrando-o nessa forma in natura com que trabalha.

:* Claro que eu não poderia deixar de frisar aqui a encarnação de Bob Dylan em Cate Blanchett, algo quase demoníaco.

:) Parabéns também aos demais atores que também cumpriram bem o desafio de desenvolver as fases ou reinvenções desse famoso cheio de rótulos, mas que fez questão de esnobar a todos: Richard Gere, Christian Bale, Benz Antoine, Heath Ledger e Bem Whishaw.

:@ Adorei as cenas olho no olho, com os primorosos conselhos de vida e lógico que também as músicas.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Caça aos extintos vampiros insensíveis.




Ontem, realizei um sonho que alimentava há anos: assisti ao "Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens" (1922) do Murnau e, em seguida, ao "Nosferatu: Phantom der Nacht" (1979), no meu entender, brilhante, de Werner Herzog. Ah sim, o terror! Meu primeiro filme de terror foi "Friday the 13th" (1980), e lembro que fiquei espantada, até mesmo de dia, por conta do Jason Voorhees. Quase um caso de Paraskavedekatriaphobia... Mas, ao contrário da minha irmã, que jurou de pés juntos não sair da ilha dos clássicos Disney, eu resolvi que só havia uma forma de vencer esse medo: arranjando outro maior. E quando dei por mim já havia me aficionado ao género, fazer o quê?

Pois bem, esses dois Nosferatu baseiam-se no batido romance "Drácula" de Bram Stoker, da mesma forma que "Bram Stoker's Dracula" (1992) de Francis Ford Coppola, mas com uma diferença gritante: os dois primeiros Nosferatu são terrivelmente insensíveis se comparados com o Drácula de Coppola. E por isso mesmo que eu estava ansiosa por vê-los, pois não suporto essas criaturas nefastas capazes de se apaixonar, quanto mais vampiros, personagens extremamente narcisistas. Foi com grande alegria, portanto, que me deparei com o animalesco Orlok e com o ambicioso Drácula (de Herzog), pois sabia eu não encontrar neles o melodrama típico dos seres mortais e benígnos ou desses vampiros de seriados de TV.

PS: Tudo bem, Gary Oldman estava um Drácula bastante sedutor, enquanto os outros pareciam mais mortos que vivos. Mas também, não precisava ser tão passional. Eu reclamo, mas gostei do filme.



:* Nosferatu de 1922 dá medo especialmente por ser antigo. A impressão que eu tive foi de estar assistindo a um documentário com algumas cenas reais. Adorei também a mudança que o Murnau fez na cor das cenas de acordo com os seus horários. O azul turbulento das cenas noturnas são asfixiantes!

:* Quando Jonathan Harker vai ao encontro do castelo do conde Drácula, a música de Wagner, que eu, por sinal, não atentei qual, surge em um crescendo aos poucos à medida que o sol vai se pondo... é brilhante! O medo vem e não há quem o empate. No castelo então, ui!
:o Filme mudo, pra mim, já é angustiante, porque as pessoas gritam, mas o som não sai.

:) Terrível aquelas múmias de crianças de rostos torturados que aparecem no começo do filme Nosferatu, de Herzog. Detalhe também para o cuidado do diretor em homenagear, sem, no entanto, copiar, o clássico de Murnau.
:) Muito inteligente o plano diabólico de Drácula para dominar o mundo: disseminar a Peste Negra, quase um dividendo seu. Para produzir o filme, por sinal, foi preciso pintar de branco milhares de ratos que aparecem invadindo casas e ruas, e promovendo a morte e a loucura.

:@ A Lucy foi, das três musas, a mais inteligente e ativa. Não se portando como uma vítima amedrontada ou mesmo cega pela paixão, Lucy, pelo contrário, foi a única que desconfiou e descobriu os planos do vampíro, frustrando-os, inclusive, graças a sua perspicácia. Adorei o filme também por esse crédito ao cérebro feminino.

:( "Dracula 2000" do Patrick Lussier só se for comendo algo muito bom, tipo lasanha, senão não dá pra engolir!